Sapos fingem-se de mortos por defesa
Comportamento denominado "tanatose" despista os predadores, que se alimentam apenas de carne fresca
26/08/2013 - 13:17
Terra da Gente
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Dominadores natos das artes cênicas, sapos de diferentes espécies se fingem de
mortos em nome da sobrevivência. A encenação é tão verossímil que chega a ter
direito à barriga para cima, pernas abertas e pata sobre o peito. Esse
comportamento é denominado “tanatose” e é utilizado por répteis e anfíbios na
defesa contra predadores. Ao detectar perigo, os animais ficam estáticos por
alguns minutos, deixando o ventre à mostra.
De acordo com o biólogo Renato Gaiga, a estratégia da “falsa
morte” é muito eficaz na natureza, já que muitas espécies se alimentam apenas
de carne fresca. “Os próprios anfíbios são predadores deste tipo, só predam
aquilo que se mexe e que está vivo. Assim, é funcional para a presa deixar seu
ventre a mostra. Muitas espécies ainda trazem uma coloração chamativa na parte
inferior que indica que, além de o bicho estar “morto”, pode ser venenoso”,
diz.
Gaiga conta que essa tática defensiva é antiga e está
presente em diversos animais. Fósseis de animais que morreram em posição de
tanatose já foram registrados. Tanto vertebrados quanto invertebrados são
capazes de ficar sem se movimentar por minutos, até sentirem-se seguros
novamente.
Serpentes também utilizam muito a estratégia. Gaiga conta
que já encontrou um casal de corais verdadeiras da espécie Micrurus
surinamenses, em um igarapé da Amazônia, fingindo-se de morto. “Ao retirarmos
os indivíduos da água (são corais aquáticas, uma das poucas espécies) a fêmea,
realizou um comportamento de achatamento dorso lateral e ficou estática. Virei
o bicho de barriga pra cima e ele nem se mexeu... Mal respirava! Não esperava
aquele comportamento”, lembra.
A tanatose pode render histórias engraçadas. O biólogo
relembra outros dois casos em que foi surpreendido pelo comportamento. “Me
recordo de um sapo que ficou “sentado”, quando o encontrei. O bicho parecia uma
pessoa assistindo televisão [risos]. Foi uma situação bem inusitada. Outro
momento engraçado foi quando observei uma perereca da espécie Phyllomedusa
nordestina que se fingiu de morta e, para não cair do galho, ficou pendurada
por apenas uma das patas traseiras”, diz.
Ao se deparar com um animal fingindo-se de morto é
importante evitar tocá-lo. Porém, caso a pessoa tenha contato com o réptil ou
anfíbio, é preciso lavar as mãos o quanto antes. “Não podemos sair por aí
pegando em animais silvestres, sem o devido conhecimento. As pessoas devem
evitar tocar nos sapos, mas caso aconteça, não devem levar as mãos aos olhos,
boca, nariz e lugares revestidos por mucosa. Os sapos são inofensivos, mas apresentam
substâncias de proteção na pele que podem provocar irritações em humanos”,
alerta Gaiga
Publicado por:
Revista Terra da Gente On-line. Disponível em:
De acordo com o biólogo Renato Gaiga, a estratégia da “falsa
morte” é muito eficaz na natureza, já que muitas espécies se alimentam apenas
de carne fresca. “Os próprios anfíbios são predadores deste tipo, só predam
aquilo que se mexe e que está vivo. Assim, é funcional para a presa deixar seu
ventre a mostra. Muitas espécies ainda trazem uma coloração chamativa na parte
inferior que indica que, além de o bicho estar “morto”, pode ser venenoso”,
diz.
Gaiga conta que essa tática defensiva é antiga e está
presente em diversos animais. Fósseis de animais que morreram em posição de
tanatose já foram registrados. Tanto vertebrados quanto invertebrados são
capazes de ficar sem se movimentar por minutos, até sentirem-se seguros
novamente.
Serpentes também utilizam muito a estratégia. Gaiga conta
que já encontrou um casal de corais verdadeiras da espécie Micrurus
surinamenses, em um igarapé da Amazônia, fingindo-se de morto. “Ao retirarmos
os indivíduos da água (são corais aquáticas, uma das poucas espécies) a fêmea,
realizou um comportamento de achatamento dorso lateral e ficou estática. Virei
o bicho de barriga pra cima e ele nem se mexeu... Mal respirava! Não esperava
aquele comportamento”, lembra.
A tanatose pode render histórias engraçadas. O biólogo
relembra outros dois casos em que foi surpreendido pelo comportamento. “Me
recordo de um sapo que ficou “sentado”, quando o encontrei. O bicho parecia uma
pessoa assistindo televisão [risos]. Foi uma situação bem inusitada. Outro
momento engraçado foi quando observei uma perereca da espécie Phyllomedusa
nordestina que se fingiu de morta e, para não cair do galho, ficou pendurada
por apenas uma das patas traseiras”, diz.
Ao se deparar com um animal fingindo-se de morto é
importante evitar tocá-lo. Porém, caso a pessoa tenha contato com o réptil ou
anfíbio, é preciso lavar as mãos o quanto antes. “Não podemos sair por aí
pegando em animais silvestres, sem o devido conhecimento. As pessoas devem
evitar tocar nos sapos, mas caso aconteça, não devem levar as mãos aos olhos,
boca, nariz e lugares revestidos por mucosa. Os sapos são inofensivos, mas apresentam
substâncias de proteção na pele que podem provocar irritações em humanos”,
alerta Gaiga



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